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martes, 3 de noviembre de 2015

Outubro Rosa - Novembro Azul, consciência o ano todo

Já faz parte do nosso cotidiano as campanhas de conscientização do Outubro Rosa (sobre o câncer de mama para as mulheres principalmente) e o Novembro Azul (sobre o câncer de próstata para os homens). Sabendo que ambas são responsáveis por um bom número de mortes a cada ano, vale a pena a prevenção, o cuidado e o acompanhamento médico desde os primeiros sintomas.


Sei que muitos fazem campanha com videos informativos, jornadas de conscientização e muita publicidade ao respeito. Tudo vale para o bem-estar daqueles que sofrem, e impedir mortes desnecessárias.

Mas, existem detalhes que podemos fazer o ano inteiro, porque a aparição do câncer não respeita data, sexo, crença ou condição social.

E desses pontos vamos falar brevemente:

Ênfase na vida do paciente

O que é mais importante, vender uma camisa da campanha ou criar cultura de prevenção?

É surpreendente como alguns tentam criar lucro ou fama com algo tão delicado: se auto-promovem, vendem mercância, e produtos, se esquecendo daqueles que morrem a cada ano por causa das duas doenças.

Ao relacionar o câncer de mama/próstata com um produto, destruímos a humanidade daquele que padece. Isso é inadmissível.

O portador sofre, e sofre muito. Além de ter o estigma de carregar um tumor, ele tem tratamentos altamente destrutivos como a quimo e a radioterapia. Cirurgias, estudos, biopsias, e muitas visitas ao médico. Ele perde sua privacidade e intimidade, e isso é muito constrangedor.

Agora, imagine uma pessoa, nesse estado, ser usado como modelo de marca ou garoto propaganda.

O que poderíamos dizer disso? Para mim, é repugnante. 

Cuidado com os familiares

Sempre fico admirado que os parentes dos portadores de câncer são colocados no escanteio como se não sofressem junto com seus seres queridos.

Você poderá me dizer que as dores são diferentes, e concordo. Mas isso não diminui a dor do outro.

Ele vê o outro recebendo doses de quimioterapia, radioterapia, cirurgias, observa as mudanças no corpo físico, e sem contar as emoções e anseios. Em ocasiões eles devem permanecer como uma montanha inabalável para ser o apoio do outro, mas quem assegura a ele? Quem se importa?

Uma campanha de conscientização que não se importa naqueles que estão ao redor daquele que padece a doença, passa a ser mercenário e manipulador.

Empatia na luta

A luta contra o câncer não é um reality show, é a luta pela vida dentro do próprio corpo da pessoa.

Não podemos pensar que isso deve ser motivo de cliques ou de fama, é um momento de tranquilidade, de focar tudo na melhoria do portador da doença, de acompanhamento.

Mas não com lástima, ele não é um coitado. Ele merece empatia.

Esteja junto, fale com ele, e 
não somente da doença. Pois eles também têm uma vida, família, amigos, sonhos, empregos, e muito mais para falar.

Acompanhe, ame, viva, ande junto, sem lástima, mas com alegria. Você pode fazer a diferença ao estar junto.

Esteja até o fim

Nem todos sobrevivem ao câncer, mas a família sim.

Esteja com a família depois de tudo. Para eles a morte não é o fim do sofrimento: a saudade, o cansaço, a fadiga que aparece; a vida pós-morte dos familiares é dura.

Se a pessoa sobrevive, saiba que ainda precisa de você.

Ele vai querer voltar a suas atividades, mas nem sempre poderá fazê-lo como antes, ou pelo menos vai te que esperar até recuperar as forças, e as vezes não voltam como antes.

O fim de tudo será quando a vida se normalize, e todos possam retomar suas vida com toda tranquilidade.

Eu sei disso muito bem

Tudo o anteriormente descrito não foi pego em lugar nenhum, são as conclusões da nossa caminhada quando a minha esposa detectaram um câncer há quase 10 anos.

Nenhum dos dois estava na faixa dos 30 quando o carcinoma apareceu. Não tínhamos recursos, mas o apoio da família foi fundamental.

Muitos "amigos" falaram que era algo que poderia ter vindo por causa de algum pecado, ou que ela não deveria fazer o tratamento tradicional, mas "alternativos" que davam resultados sem tanta dor.

Vi o cabelo dela cair, o desespero nas manhãs, a dor da quimioterapia, as viagens pelos remédios que precisava, as mudanças no seu peso e no descanso. Procurei ser o seu apoio e confidente, tentei não me poupar em nada por amor dela - e valeu a pena.

Mas, poucas pessoas me perguntaram sobre os meus sentimentos e forças. Admiravam-se porque ainda sorria e brincava, mas dentro de mim me desfazia em perguntas e questionamentos sobre a dor e a nossa capacidade de aguentar tudo. Mas, poucas pessoas se sentaram comigo para me pergunta como eu estava. A atenção estava toda nela, e ela com certeza precisava mais do que eu.

Os amigos que tivemos - que não foram poucos, mas também não muitos - estiveram conosco em todo momento, nos deram apoio e orações. Caminharam essa milha, e nos deram descanso.

Da mesma forma, há muitos anos atrás, acompanhei uma pessoa com câncer. Fiz com ele um trabalho pastoral de oração, leitura da Bíblia e acompanhamento. A família se mudou depois disso, e perdemos o contato posteriormente. Mas ele encontrou descanso em Deus aceitando que a morte seria inevitável, e preparou sua família para isso. Todavia, sempre penso que poderia ter feito mais pela família dele no tempo em que eles estiveram antes da mudança, mas era muito novo, infelizmente.

Uma palavra final

Se você quer se aderir na campanha da conscientização do câncer, eu recomendo que faça isso pensando mais naqueles que padecem do que na sua própria fama. Divulguemos a importância da prevenção, dos testes, das mamografias e ressonâncias, da visita frequente ao médico, da alimentação balanceada, de evitar os vícios, de ter uma vida sossegada e frutífera. Em fim, de viver plenamente.

Deus cuida das pessoas, e no seu amor nos deu uma família para amar, amigos para nos encorajar, e permitiu o desenvolvimento da ciência para nos ajudar. Viva cuidando dos outros sem esperar nada em troca. As experiências que temos são valiosas, vamos aproveitá-las.

Que Deus abençoe você!

miércoles, 17 de junio de 2015

Vocação, a palavra que não está em alta!


Sou testemunha do esforço das Organizações Missionárias e dos Seminários na hora de captar vocacionados para o serviço ao Senhor de forma integral. Como Diretor Acadêmico do Seminário Batista do Norte de Minas, tentamos caprichar na divulgação da Instituição como uma alternativa de preparo para o vocacionado; como Pastor sei do esforço da JMN, JMM, e Missões Estaduais da CBM para chamar obreiros ao campo. Mas, sem querer parecer pessimista, os resultados nem sempre são os desejados.

O que está acontecendo

Isto me leva a pensar em vários fatores que surgem como contra-mão à vocação, me permita algumas causas que eu tenho visto no meu curto período de vida ministerial a tempo integral:

  • Materialismo e Consumismo como estilo de vida: Somos valorizados por aquilo que temos e não pelo que somos, o que traz problemas na hora de não estar à moda nos dias de hoje.
  • Falsa Espiritualidade: temos uma geração de pessoas que estão lendo muita teologia sem espiritualidade, o que está criando um novo crente legalista, que vive segundo aquilo que lê, mas que o seu relacionamento com Deus está distante e apagado. Para eles, trabalhar com crentes e para crentes é o fim da existência e se esquecem do chamado de Deus para alcançar o mundo.
  • Ênfase no dualismo na Grande Comissão: estão aqueles que ofertam e oram, e os que são enviados ao Campo. Isso é um erro gritante, porque todos fomos chamados a cumprir a Grande Comissão pregando o Evangelho. Além disso, como ouvirão se não há quem pregue? (Romanos 10)
  • Igrejas que esquecem atividades evangelísticas: muitos eventos dentro das quatro paredes do Templo criam comodismo e uma falsa sensação de serviço dos crentes. Na medida em que a Igreja se afasta da Comunidade, vai perdendo sua essência de luz e sal.
  • Apatia para servir: se tem mais um pensamento de paternalismo eclesiástico, as pessoas se congregam para receber e não para serem capacitados a compartilhar.
  • Falta de pregação e ensino sobre vocação: ela se limita exclusivamente a Momentos Missionários, Atividades especiais e formaturas dos Seminários. Esta mensagem é de suma importância, ao ponto que sem um despertar dos vocacionados a Igreja pode perder sua liderança num período de 10 a 15 anos.
  • Lideranças que não desejam a formação de ninguém para evitar ameaças.
  • Crentes magoados e decepcionados com a liderança das suas Igrejas.
  • Desejo de progresso individual acima dos interesses do Reino de Deus.
  • Pouco ensino sobre o Ministério Bi ocupacional "fazer tendas".
  • Deus ausente dos Cultos e da Vida diária.
  • Desconhecimento do significado de vocação e ministério, limitando o sentido do termo a atividades ministeriais eclesiásticas, e não aplicado à vida diária.

O que podemos fazer


Escolher uma vocação - seja lá qual for - é um processo que começa em Deus.

Ele nos criou com um propósito Eterno nele, quer dizer, toda habilidade a nós concedida tem como firme propósito Glorificar ao Único que merece toda Honra e Majestade. Temos que reconhecer que nada do que temos nos pertence, porque todo foi dado por Ele e para Ele.

Como isso em mente, entendemos que não existe distinção entre secular-religioso ou sagrado-profano. Tudo pertence a Deus, e tudo é feito para Deus. Ou como Paulo falou "façam tudo para Glória de Deus".

Vocação, chamada, habilidade, talento, você e eu podemos chamar isso com o nome que achemos mais bonito, mas a verdade é que a origem está em Deus, e a Ele prestaremos conta daquilo que recebemos da sua mão.

Desembrulhar a vida pode não ser uma tarefa fácil se olharmos simplesmente o fator monetário ou fama. Mas se nós entendermos que a vida é além do material, o proveito será maior. Se a isso acrescentamos o fato de entender que quando servimos ao próximo prestamos um Culto ao Senhor, a perspectiva da nossa vocação se potencializa. Tendo como resultado uma qualidade do nosso trabalho porque o nosso chefe é Deus, procuraremos sermos justos e equitativos na hora de administrar os recursos, e seremos testemunhas fiéis do Senhor onde estivermos. 

Nosso lugar no tempo e no espaço será o nosso Campo missionário, e muitas pessoas poderão conhecer Cristo através da nossa vida e palavras. 

Entenderemos que o preparo é importante perante os desafios do mundo hoje, então o Seminário será parte do nosso Currículo acadêmico, assim como é o Curso Profissionalizante ou o Mestrado, porque todos nos preparam para a vida.

Os que tenham vocação para o Ministério integral não terão problema em assumir o Compromisso se entendermos o Serviço como razão e propósito de existência.

As pregações se tornarão mais simples e diretas neste aspecto. Acredito que capacitar pessoas para a vida, e a vida ser vista como um ministério dado por Deus deve ser a chave do sentido da vocação hoje, um pensamento contrário a isto pode fomentar a alienação que temos com a sociedade.

Promover vocacionados a missões, principalmente naqueles que tem uma profissão para serem bi ocupacionais no mundo. Fomentar o intercâmbio entre outras frentes de trabalho e despertar o espírito missionário nas Igrejas, eliminando o dicotomismo secular-sagrado ou ofertar - enviar. Temos que parar com isso!

Conclusão

Sempre haverá esperanças de mudanças, e eu acredito piedosamente nisso. Basta nos dispor a cumprir o nosso papel como Igreja de Cristo, sendo luz e sal no meio da sociedade, e fazendo de tudo para anunciar o Evangelho até os confins da terra.

Porque todos somos vocacionados!